terça-feira, 14 de junho de 2022

A inclusão das mulheres e o desenvolvimento do Futebol Feminino.

 A inclusão das mulheres e o desenvolvimento do Futebol Feminino.

 AUTORES: BIANCA DANIELE SILVA DE LIMA,MARIELY ABRIL PACHECO,MARIANA PEREIRA BUROFFI,BEATRIZ ROCHA DOS SANTOS e MARIA EDUARDA DOS SANTOS MARTINS

O futebol é uma das modalidades esportivas mais praticadas em todo o mundo. Sua história, o envolvimento da mídia, a sua inserção em diferentes culturas, o interesse comercial e de marketing por trás das equipes e dos campeonatos e o alcance dos campeonatos locais e mundiais têm demonstrado isto ao longo dos anos. Entretanto há uma peculiaridade, também neste esporte, que é a forma de envolvimento das mulheres e o tratamento que os meios de comunicação dão à participação feminina. Atualmente as mulheres têm se mostrado presentes e, com grande interesse, se envolvido nesta modalidade, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Como exemplo, citamos o Instituto Internacional de Futebol ao realizar, em 2005, seu Congresso com o tema Mulher, futebol e Europa, reafirmando que “o futebol feminino tem se tornado uma área de estudos emergente e envolvente, em proporções globais, atraindo um número crescente de pesquisadores de diversas áreas” (IFI, 2005, p. 2).

No Brasil, identificamos o crescimento da prática desta modalidade entre as mulheres, bem como o seu aparecimento midiático mais evidente, particularmente após o inédito resultado nas olimpíadas de Atlanta, com o quarto lugar, e, mais recentemente, com o sucesso das atletas em Atenas, conseguindo a medalha de prata.

Seria ingênuo supor que a mídia trate as mulheres, em seu envolvimento com o futebol, de forma similar ao tratamento dado aos homens. Aliás, a crítica à parcialidade nos meios de comunicação no que concerne ao gênero, parece sempre voltar à tona quando há algum estudo que envolva a mídia e o esporte, conforme afirmam Mourão e Morel (2005), pois o esporte, através da mídia, é predominantemente branco e masculino, segundo reiteram autores como Sterkenburg e Knoppers (2004), Coakley (2004) e Knoppers e Elling (2004). Esse fato não é peculiar da nossa cultura, pois não interessa qual país e evento são estudados, os resultados consistentemente mostram que os esportes envolvendo mulheres são proporcionalmente mal representados na mídia esportiva e considerados como de menor emoção e de menor dignidade para notícias do que os esportes envolvendo homens” (STERKENBURG; KNOPPERS, 2004, p. 303).

Através da mídia parece haver então dois caminhos: o primeiro, sendo o do esporte masculinizado e o segundo, o do esporte feminino, com um tratamento de modelos de beleza e o objeto de desejo (PRIORE, 2000).

Assim, identificamos na história do esporte que a atividade esportiva, enquanto símbolo de um imaginário de força, poder e músculo, se enquadraria como atividade masculina, portanto a mulher deveria ser poupada deste possível processo de masculinização, ou seja, não deveria estar presente da mesma forma que o homem no mundo esportivo. Em decorrência deste conceito, notamos a pequena participação das mulheres e também de um tratamento pela mídia que não é o mesmo dado aos homens.

O suor excessivo, o esforço físico, as emoções fortes, as competições, a rivalidade consentida, os músculos delineados, os gestos espetacularizados do corpo, a liberdade de movimentos, a leveza das roupas e a seminudez, práticas comuns ao universo da cultura física, quando relacionadas à mulher, despertavam suspeitas porque pareciam abrandar certos limites que contornavam uma imagem ideal de ser feminina (GOELLNER, 2005, p. 92).

 


Apesar de a jogadora Marta já ter ganhado o prêmio de melhor do mundo por seis vezes, ainda existem poucas mulheres no futebol brasileiro. Em um espaço majoritariamente masculino, elas são pouco reconhecidas: Se compararmos as duas principais estrelas do futebol brasileiro é fácil perceber a diferença. De um lado, Neymar – um dos maiores jogadores do futebol masculino – e, de outro, Marta. Ele recebe mais de 91,5 milhões de euros por ano; ela, 340 mil euros. O correspondente a apenas 0,3% do salário do craque do Paris Saint-Germain.

Voltando um pouco na história, descobrimos uma razão para essa diferença. Entre 1941 e 1979, um decreto proibia que mulheres jogassem futebol no Brasil. E a justificativa para a proibição em pleno do país do futebol é que a prática contrariaria a natureza feminina, pois o esporte seria violento e masculino demais. Isso fez com que as meninas não só não praticassem o futebol, como também as afastou de qualquer participação no mundo da bola.










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